Andromeda da Meta: o que é e o que muda nos seus anúncios
O Andromeda é a primeira triagem de anúncios da Meta: de dezenas de milhões, sobram milhares. Veja o que a Meta disse, o que é boato e como ajustar a conta.

O Andromeda é o sistema da Meta que faz a primeira triagem dos anúncios: entre dezenas de milhões de candidatos, ele escolhe alguns milhares que seguem para o leilão de cada pessoa. É uma etapa de recuperação (retrieval): ela não decide qual anúncio aparece, decide quais podem concorrer. Para quem anuncia, o efeito prático é que o criativo passou a pesar mais na escolha de quem vê o anúncio, e uma conta com poucos conjuntos e ângulos realmente diferentes tende a render mais que uma com dezenas de conjuntos e peças parecidas.
Este texto separa o que a Meta publicou do que circula como regra em blogs de tráfego, mostra o que mudou na operação com dados de contas que gerimos e traz um passo a passo para adaptar a conta. A visão geral da plataforma está no guia de Facebook Ads.
O que é o Andromeda da Meta?
Está descrito no blog de engenharia da Meta como um mecanismo de recuperação de anúncios personalizados. O sistema de anúncios da Meta funciona em etapas: a primeira reduz uma massa enorme de anúncios candidatos a alguns milhares, e modelos de ranqueamento maiores e mais caros decidem depois o que a pessoa vê. O Andromeda é essa primeira etapa.
Os números que a Meta divulga no post:
- a recuperação de anúncios relevantes (o recall) melhorou 6% depois da implantação no Instagram e no Facebook;
- a qualidade dos anúncios entregues subiu 8% em segmentos selecionados;
- a capacidade do modelo cresceu 10.000 vezes, sem que o custo de processar cada pedido crescesse na mesma proporção;
- o sistema foi desenhado para rodar em chips da NVIDIA (Grace Hopper) e nos chips próprios da Meta (MTIA).
Antes, a recuperação dependia de vários modelos separados e de muitas regras escritas à mão. A Meta diz que a nova arquitetura aprende diretamente a relação entre a pessoa e o anúncio, com menos regras. E diz que o Advantage+ (a automação de orçamento, público e lance) aumenta o número de anúncios elegíveis para públicos diferentes, e que maior diversidade de anúncios pode melhorar a experiência das pessoas e os resultados de quem anuncia.
O que a Meta não disse sobre o Andromeda?
Boa parte do que se repete por aí não está nessa fonte. O post não fala de "use 8 criativos" nem de "máximo de três conjuntos", e as cifras de resultado de anunciante que traz são do Advantage+, e não uma regra de operação do Andromeda. Também não afirma que anúncios com o mesmo gancho contam como um só: essa regra circula a partir de relatos de agências que dizem ter ouvido isso da Meta, e a reportagem que a registrou não a confirma. A posição pública da Meta, dada por uma porta-voz ao Marketing Brew, é mais simples: diversificar o criativo é uma boa prática antiga, e a orientação é "diversifique, teste e deixe o sistema otimizar".
Neste texto, tudo o que vai além disso é leitura nossa, a partir de contas que operamos, e está marcado como tal.
O que mudou na prática para quem anuncia?
O criativo virou a segmentação
Antes, você dizia à Meta quem queria alcançar. Agora ela infere, pelo anúncio, quem tem mais chance de responder. Um vídeo que abre com a dor de um diretor financeiro atrai um tipo de pessoa, e um carrossel sobre integração com ERP atrai outro, com o mesmo público configurado. É por isso que escrever o cargo e o problema na primeira linha filtra melhor que um interesse, e os modelos estão em copy para Facebook Ads.
O público virou sugestão
Com o Advantage+ ligado, faixa de idade e interesses deixam de ser limites. Medimos isso em 34 contas de uma rede de lojas, com 451 conjuntos: o Advantage+ respeitou o lugar (só 0,20% da verba saiu do estado escolhido), mas não a idade. Em todos os 146 conjuntos com ele ligado e teto de idade, 31,7% da verba e 35,4% das mensagens ficaram fora da faixa pedida. Quem quer limitar idade precisa desligar o Advantage+, e isso tem preço, como mostra o guia de Facebook Ads.
Menos conjuntos, mais sinal em cada um
Uma conta com 30 conjuntos de dois anúncios e R$ 20 por dia divide o sinal: cada conjunto vê poucas conversões por semana e aprende devagar. A referência que a Meta usa para a fase de aprendizado é de cerca de 50 eventos de otimização por semana em cada conjunto, e a coluna Entrega do Gerenciador avisa com "Aprendizado limitado" quando o conjunto não chega lá. Isso favorece poucos conjuntos, cada um com volume.
Poucos conjuntos não quer dizer um só. Na conta de uma plataforma de cursos para RH, a verba do Meta passou de R$ 33,9 mil para R$ 72,7 mil por mês, e o custo por cadastro caiu de R$ 4,50 para R$ 2,79, com 3,5 vezes mais cadastros. O que permitiu isso foi dividir a verba em campanhas por curso e por área, cada uma com peça própria, em público aberto. Subir o orçamento das mesmas campanhas só encarecia o cadastro. Cada recorte virou uma porta de entrada com ângulo próprio, e não mais um interesse.
O que conta como criativo diferente?
Pelo que vemos nas contas, conta como diferente o que muda quem fala, qual dor aparece ou qual é a oferta. Trocar cor, fonte ou a frase de abertura conta pouco.
| Variação | Conta como diversidade? | Exemplo |
|---|---|---|
| Cor ou fonte | Pouco | Mesmo vídeo, fundo azul e fundo verde |
| Frase de abertura, mesmo roteiro | Pouco | "Cansado de planilha?" e "Chega de planilha" |
| Dor diferente | Sim | Multa de trânsito x custo de combustível |
| Quem fala | Sim | Gestor de frota x diretor financeiro |
| Formato | Sim | Vídeo de tela x depoimento em texto |
| Oferta | Sim | Demonstração x calculadora de economia |
Um teste simples é o resumo: se você descreve dois anúncios com a mesma frase, trate-os como um.
Os números das contas apontam na mesma direção. Na inauguração de lojas novas da rede, o custo por conversa variou de R$ 12,59 (anúncio para quem já tinha visto a loja) a R$ 65,54 (anúncio genérico sem tema), e 27% da verba de lançamento estava no genérico. Na plataforma de cursos, o roteiro de vídeo campeão foi regravado com outra pessoa: a nova versão rodou a R$ 1,30 por cadastro, contra uma média de R$ 3 no mês. Com o mesmo texto, trocar quem fala entregou um cadastro bem abaixo da média.
Como adaptar a conta ao Andromeda?
- Audite a estrutura. Conte conjuntos ativos e conversões por semana em cada um. Os que ficam sempre abaixo da referência são candidatos a fusão.
- Consolide. Una conjuntos que diferem só por interesse ou idade. Mantenha separados os que têm objetivo realmente distinto, como prospecção e remarketing.
- Mapeie ângulos. Liste as dores, as provas e as ofertas do produto. Cada ângulo vira uma família de criativos.
- Produza por contraste. Varie quem fala, o formato e a oferta entre as famílias, e não entre os anúncios da mesma.
- Corte com critério. Compare custo por lead qualificado no CRM, e não só custo por lead. O anúncio mais barato por lead costuma trazer o lead mais frio. A biblioteca de anúncios da Meta ajuda a achar ângulos que o mercado já sustenta.
- Reponha em ritmo constante. Entre com criativos novos em lotes regulares, em vez de grandes trocas de uma vez.
Quando o Andromeda piora a conta?
Pouco sinal. Conta B2B que gera 20 leads por mês não alimenta muitos conjuntos nem muitas peças. O caminho é concentrar numa campanha e, quando houver volume, subir o evento um passo no funil, de formulário para lead qualificado.
Evento errado. A máquina otimiza o que você manda. Se o único sinal é "enviou formulário", ela acha mais gente que preenche formulário. Por isso a API de Conversões da Meta, com eventos do CRM, faz parte do pacote.
Criativo do LinkedIn no feed. A mesma peça de LinkedIn, sem adaptação, tende a render clique fraco. O anúncio disputa atenção com vídeos de lazer.
Como saber se a conta está se adaptando?
Olhe quatro sinais por pelo menos duas semanas:
- Distribuição do gasto. Se um anúncio leva 90% da verba, a máquina achou um vencedor e ignorou o resto. Pode ser bom, mas indica que os outros não eram diferentes o bastante.
- Frequência. Subindo rápido num público pequeno, o criativo cansou. Entre com ângulo novo, não com a mesma peça redesenhada.
- Custo por lead qualificado por criativo. Cruze o anúncio de origem com o CRM.
- Tempo em aprendizado. Conjuntos que passam semanas em "Aprendizado limitado" precisam de mais volume ou de um evento mais alto no funil.
O imposto não muda a entrega, mas encarece cada teste em cerca de 13,8% sobre a mídia, como mostra impostos do Meta Ads, e isso reforça testar poucos ângulos bem diferentes.
Perguntas frequentes
O que é o Andromeda da Meta?
É o sistema de recuperação de anúncios da Meta, descrito no blog de engenharia da empresa. Ele faz a primeira triagem: reduz dezenas de milhões de anúncios candidatos a alguns milhares, que seguem para o ranqueamento e o leilão.
Quantos criativos devo usar por conjunto?
A Meta não publica um número. Trabalhe com poucos conjuntos e com um grupo de criativos que difiram de verdade em dor, quem fala e oferta. Vinte variações de cor do mesmo vídeo valem menos que quatro ângulos distintos.
O Andromeda acabou com a segmentação por público?
Não acabou, mas diminuiu o peso dela. No Advantage+ a faixa de idade e os interesses são sugestões para o sistema, enquanto o local costuma ser respeitado. O criativo passou a ajudar a decidir quem vê.
Preciso mudar a estrutura da conta por causa do Andromeda?
Em geral, vale revisar. Contas com dezenas de conjuntos pequenos dividem o sinal e aprendem devagar. A consolidação em menos conjuntos, com mais variedade criativa dentro deles, é o ajuste mais comum.
Sua conta Meta tem muitos conjuntos e pouco criativo diferente?
Fale com a Summia. A gente audita a estrutura, mapeia os ângulos do seu produto e mede cada criativo pelo lead que o seu comercial aprova.