Gestor de tráfego pago: o que faz, quanto custa contratar e o que pedir
Gestor de tráfego pago: o que faz, quanto custa contratar (salário CLT e honorários, com fonte) e as 6 perguntas para fazer antes de fechar.

Um gestor de tráfego pago é quem decide onde anunciar, com qual mensagem e com quanto dinheiro, opera as campanhas no Google, na Meta e no LinkedIn e responde pelo número que volta. Contratado como CLT, ele tem salário médio de R$ 3.693 por mês, segundo o Jooble, que reúne quase 20 mil registros. Como autônomo, uma página de gestor que lemos cita honorários de R$ 1.500 a R$ 7.000 por mês, fora a verba dos anúncios.
Esses números dizem pouco sobre quem é bom. A diferença entre um gestor que paga o próprio salário e um que só gasta a sua verba está no que ele mede e no que você consegue conferir. Abaixo estão o que ele faz de fato, quanto custa cada forma de contratar, o que pedir antes de fechar e como saber, depois, se está funcionando.
Um aviso: a Summia é uma agência de performance para SaaS e B2B, ou seja, parte interessada nessa decisão. Por isso os números vêm de fontes que a gente leu e cita, e a comparação com agência está em um texto à parte, com os custos abertos.
O que faz um gestor de tráfego pago?
Ele cuida de cinco coisas, e só a primeira aparece na proposta comercial.
A primeira é a operação: criar campanhas, escolher público e lance, trocar anúncios, pausar o que não entrega. A segunda é a medição. Sem pixel, tag do Google, UTMs e uma ligação com o CRM, o gestor otimiza o que o painel mostra, e o painel mostra formulário, não venda. A terceira é o criativo: ele define o ângulo do anúncio e escreve o texto, mesmo que o design venha de outra pessoa. A quarta é a página de destino, porque o clique que cai numa página lenta ou sem relação com o anúncio é dinheiro perdido. A quinta é a conversa com o comercial, para saber se o lead que chegou era bom.
O que ele não faz sozinho é design, vídeo e desenvolvimento de página. Se uma proposta barata promete tudo isso, pergunte quem executa. A base do assunto, para quem ainda não investe, está em tráfego pago: o que é e como funciona.
Em B2B há uma diferença prática. O gestor precisa dominar LinkedIn Ads, integrar a conta ao CRM e entender o que o time de vendas chama de lead qualificado. Um gestor de loja virtual pode ser ótimo e entregar lead errado para um SaaS, porque o resultado que importa aparece semanas depois do clique, no CRM.
Quanto custa contratar um gestor de tráfego pago?
Depende de como você contrata. Estes são os valores que conseguimos confirmar em fontes abertas:
| Forma de contratar | Valor mensal | De onde vem |
|---|---|---|
| CLT, gestor de tráfego | média de R$ 3.693 (faixa de R$ 3.357 a R$ 3.904) | Jooble, 19.570 salários |
| CLT, analista de mídia paga | média de R$ 2.728 (faixa de R$ 2.325 a R$ 2.819) | Jooble, 6.449 salários |
| Gestor autônomo ou pequena estrutura | R$ 1.500 a R$ 7.000 de honorário | página comercial de um gestor |
Duas ressalvas honestas. O Jooble é um agregador de vagas e avisa que os valores são aproximados, porque vêm de envios de terceiros. E a faixa de R$ 1.500 a R$ 7.000 é a que um gestor publica no próprio site. Tentamos consultar pesquisas salariais de plataformas como Glassdoor e Vagas e de consultorias de recrutamento, mas não conseguimos abrir nenhuma com metodologia clara para esse cargo. Use os números como ordem de grandeza e peça duas ou três cotações reais.
Há uma segunda leitura: o salário não é o custo. Numa contratação CLT, o 13º salário, as férias com o adicional de um terço e o FGTS de 8% somam cerca de 29% sobre o salário. É uma conta nossa, a partir dessas regras: R$ 3.693 viram perto de R$ 4.760 por mês, antes de INSS patronal, vale-refeição, plano de saúde e ferramentas. Além disso, a média mistura quem opera uma loja pequena com quem lê o funil de um SaaS. Para B2B, trate a média como piso.
Como o gestor cobra: fixo, percentual ou resultado?
Os três modelos que aparecem nas propostas:
- Fixo mensal. Previsível, e o gestor não ganha mais por gastar mais. É o mais simples de comparar entre fornecedores.
- Percentual da verba. Cresce com o investimento. O problema é o incentivo: quanto mais você gasta, mais ele recebe, mesmo que o resultado não acompanhe. Com verba pequena, o percentual não paga o trabalho e o gestor tende a empurrar volume.
- Fixo mais variável por resultado. Alinha os dois lados, mas exige combinar antes o que é resultado (reunião realizada? oportunidade criada no CRM?) e quem mede.
Seja qual for o modelo, a verba de mídia sai direto do seu cartão ou da sua conta nas plataformas, nunca do repasse ao gestor. Até os guias de contabilidade para gestores autônomos recomendam que o cliente pague a mídia direto na plataforma, para não misturar o dinheiro do anúncio com a receita do prestador.
O que pedir antes de contratar um gestor de tráfego pago?
Estas perguntas separam quem tem processo de quem tem apresentação.
- As contas ficam no meu nome? Gerenciador de anúncios, conta do Google Ads, Tag Manager e pixel têm de ser seus, com o gestor entrando como parceiro. Quem recusa constrói dependência: se você sair, perde o histórico que ensinou o algoritmo.
- Onde termina o relatório? Se ele acaba em cliques e custo por lead, o gestor está medindo o que é fácil. O relatório certo termina em reunião ou oportunidade no CRM.
- Quem faz criativo, texto e página, e quantos por mês? Pergunte quanto está incluído. Dois fornecedores com o mesmo valor podem entregar escopos bem diferentes.
- Posso ver o histórico de alterações da conta? Tanto o Google Ads quanto o Gerenciador da Meta guardam o que foi mudado, quando e por quem. Quem tem processo não se incomoda de mostrar.
- O que acontece nos primeiros 90 dias? O primeiro mês deve ser diagnóstico e medição, não campanha nova. Desconfie de resultado prometido em duas semanas.
- Como é a saída? Aviso prévio, multa, entrega de materiais editáveis. Contrato que prende costuma esconder insegurança com o próprio trabalho.
Para uma lista mais completa, pensada para agências, o roteiro está em como escolher agência de marketing B2B.
Um bom gestor abre o relatório por dentro e mostra o custo da decisão
É o teste mais difícil de fingir. Numa campanha de captação de uma rede de franquias de varejo, 68% das mensagens vinham de mulheres de 45 anos ou mais, e quanto mais velha a faixa, mais barata a mensagem: R$ 3,00 aos 35 a 44 anos, R$ 2,64 aos 45 a 54, R$ 2,09 aos 55 a 64 e R$ 1,36 a partir dos 65. Só se vê isso abrindo o relatório por idade, que o painel principal não mostra.
A decisão que o relatório pede não é óbvia. Limitar o anúncio a pessoas de até 45 anos era uma escolha de negócio, ligada à qualidade do que a rede recebia. O custo para aparecer subiu apenas 4%, o que num painel resumido parece quase nada. Mas as mensagens por mil impressões caíram de 8,53 para 3,19. Quem olhasse só o CPM, o custo por mil impressões, concluiria que a mudança saiu de graça.
É isso que se espera de um gestor: ele abre o dado por idade, posicionamento e criativo, e diz "essa escolha custa tanto, e é isso que você está comprando". Na reunião, preste atenção em quem fala de trade-off. Quem só fala de melhora ou não abriu o relatório, ou está escondendo o preço.
Freelancer, CLT ou agência: qual escolher?
O freelancer serve a verba menor e escopo simples, sabendo que a conta depende de uma pessoa só. O CLT serve a verba alta e estável, quando existe alguém para liderar e ferramentas para sustentar a operação. A agência serve a quem precisa de mídia, criativo, página e dados ao mesmo tempo, sem montar quatro cargos. O custo de cada caminho, com a conta de um time interno aberta, está em empresa de tráfego pago ou time interno.
Se você já tem quem execute e quer só uma opinião de fora sobre a conta, uma consultoria de tráfego custa menos que contratar um gestor.
Como saber se o gestor está funcionando?
Dê 90 dias, mas não deixe os 90 dias passarem em branco. Aos 30, o rastreamento tem de estar conferido: o número de leads do painel bate com o do CRM em ordem de grandeza (o motivo de não baterem exato está em por que o painel de anúncios não bate com o CRM). Aos 60, tem de haver testes com hipótese escrita. Aos 90, o gestor tem de explicar o que aprendeu e qual é o próximo teste. Se ele só tem justificativas, o problema é de processo, não de prazo.
Perguntas frequentes
O que faz um gestor de tráfego pago?
Planeja e opera campanhas de anúncio no Google, na Meta e no LinkedIn, configura a medição de conversões, escreve ou briefa os criativos, cuida da página de destino e conversa com o comercial sobre a qualidade dos leads. Em B2B, o trabalho se mede em reunião e oportunidade, não em clique.
Quanto cobra um gestor de tráfego pago?
Como autônomo, uma página de gestor que lemos cita de R$ 1.500 a R$ 7.000 por mês, sem a verba de anúncio. Como funcionário CLT, o salário médio é de cerca de R$ 3.700, segundo o Jooble, e o custo para a empresa passa disso por causa dos encargos. Confirme com cotações reais.
Gestor de tráfego precisa de formação?
Não existe formação obrigatória. O que se confere é a prática: contas gerenciadas, a medição que ele sabe montar e casos com verba, período e resultado de negócio. Certificações do Google e da Meta ajudam, mas não substituem o histórico.
Quanto tempo leva para um gestor mostrar resultado?
O primeiro mês é de diagnóstico e medição. O efeito em reuniões e oportunidades só aparece depois de um ciclo de vendas, que em B2B costuma passar de dois meses. Por isso o combinado de 90 dias precisa dizer quais números decidem se o trabalho continua.
Quer um gestor que responda pela reunião, não pelo clique?
Fale com a Summia. A gente olha a sua conta, o seu CRM e o seu ciclo de venda, e diz se vale contratar gestor, agência ou só uma revisão da conta que você já tem.